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A Amazônia tem se mostrado um território fértil para o surgimento de negócios inovadores, especialmente aqueles que valorizam os recursos da floresta por meio de ciência, tecnologia e impacto socioambiental.

Diferente de outros pólos de inovação do país, onde o mercado dita o ritmo, o empreendedorismo de impacto na Amazônia nasce, muitas vezes, da interseção entre saberes tradicionais, instituições de pesquisa e políticas públicas.

Esse cenário gera um ecossistema singular, onde soluções sustentáveis surgem tanto das comunidades tradicionais quanto de laboratórios, dando origem a iniciativas com potencial de transformar realidades locais e projetar a região como referência em bioeconomia.

Neste artigo, conheça os perfis por trás do empreendedorismo de impacto e os desafios dos negócios inovadores em fase inicial, também chamada de fase de ideação. Confira!

>> Leia também: Oportunidades e movimento de mercado para investimentos de impacto

Negócios inovadores: sua concepção em território amazônico

Na Amazônia, as características singulares do território têm impulsionado o surgimento de negócios inovadores, principalmente no campo da bioeconomia.

A combinação entre o acesso direto à biodiversidade, a presença de instituições científicas relevantes e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável cria um ambiente fértil para novas soluções e modelos produtivos.

Com uma vasta riqueza de recursos nessa região, pesquisadores e empreendedores conseguem integrar o conhecimento técnico com os  insumos naturais, favorecendo o desenvolvimento de iniciativas inovadoras.

Esse cenário mostra dois caminhos distintos: o de negócios de base, voltados principalmente ao atendimento da demanda local, e o de empreendimentos com alto grau tecnológico, que surgem da convergência entre ciência, empreendedorismo e políticas públicas.

>> Leia também: Qual a importância da biotecnologia para o desenvolvimento econômico da Amazônia?

Os perfis por trás do empreendedorismo de impacto

Segundo Gustavo Canova, coordenador do Sinapse Bio, que tem experiência no contato com profissionais na fase de ideação, os empreendedores de impacto vêm de perfis diversos.

Alguns têm característica visionária e enxergam oportunidades onde outros veem problemas. Já outros são técnicos e desenvolvem soluções inovadoras com base em dados e pesquisas.

Há também os empreendedores sociais, motivados por causas e transformações comunitárias, e os que vêm do setor corporativo, trazendo experiência de gestão para negócios com propósito.

Alguns vêm também de territórios e comunidades tradicionais, combinando saberes locais com estratégias de mercado.

Desafios dos negócios inovadores em fase de ideação

Na fase de ideação, onde a ideia do negócio é concebida, pesquisada e validada, um dos principais desafios apontados por Gustavo Canova, é a dificuldade de estruturar o modelo de negócio com clareza e viabilidade.

“A ideia pode ser ótima, mas se não estiver ancorada em uma lógica mínima de operação e sustentabilidade, ela não vai sair do lugar”, destaca.

Ele também menciona a insegurança dos empreendedores em relação ao próprio conhecimento: “Muita gente duvida do que sabe, mesmo quando tem conhecimento técnico ou vivência no território. É comum ver gente travada por medo de errar logo no começo”, afirma.

Essa diversidade de desafios na fase inicial evidencia a importância de ambientes de apoio e redes de colaboração que ofereçam orientação técnica, validação de ideias e incentivo à confiança empreendedora.

Ao reconhecer e enfrentar essas barreiras com suporte adequado, é possível transformar boas ideias em negócios viáveis, fortalecendo o ecossistema de inovação na Amazônia desde sua base.

Empreendedorismo como atividade secundária

Muitos empreendedores começam seus negócios como uma atividade secundária, conciliando a nova iniciativa com outras ocupações profissionais. Essa escolha diminui riscos e mantém uma fonte de renda estável enquanto a ideia ainda está sendo testada.

No entanto, o acúmulo de responsabilidades pode limitar o tempo e a energia disponíveis para o novo projeto.  Apesar de ser uma estratégia comum entre quem está na fase de ideação, esse desafio  exige organização e resiliência para manter o negócio em movimento.

Dificuldade logística 

A logística é uma das principais questões para o empreendedorismo de impacto que atua em territórios remotos. Escalar a produção, vender em volume e tirar o produto da região são desafios constantes.

A ausência de certificações adequadas e barreiras para embarque dificultam o acesso a mercados mais amplos. Muitas vezes, sair do próprio estado já representa um grande obstáculo operacional e burocrático.

Passividade dos empreendedores

A passividade de alguns empreendedores pode ser um problema para o amadurecimento do negócio. Apenas esperar por soluções externas ou apoios institucionais, sem buscar caminhos próprios de fortalecimento, pode dificultar a tomada de decisão e o avanço em etapas importantes.

Em alguns casos, falta iniciativa para explorar oportunidades ou até mesmo para validar o potencial do produto no mercado.

Transição do tradicional para o inovador

A transição de negócios comunitários tradicionais para modelos inovadores ainda enfrenta barreiras culturais e estruturais.

Muitos empreendedores têm dificuldade em se reconhecer como agentes de inovação, mesmo quando operam com insumos únicos e práticas sustentáveis. Falta apoio para reposicionar essas iniciativas diante do mercado externo, que valoriza a diferenciação e o impacto.

Como a Jornada tira negócios inovadores da bioeconomia do papel

A Jornada desempenha um papel fundamental ao tirar negócios inovadores da bioeconomia do papel, conectando e fortalecendo iniciativas por meio de programas como o Sinapse Bio e o Sinergia Investimentos.

“A Jornada estimula a iniciativa dos empreendedores, acompanha o desenvolvimento dos negócios e abre novas oportunidades”, afirma Gustavo, destacando o impacto do apoio contínuo.

Um exemplo promissor é a Tamu Microalgas, que participa atualmente do Sinapse com foco na produção de Spirulina e em uma microalga amazônica inédita no mercado.

O projeto tem grande potencial de avanço graças à combinação entre excelência científica e visão de mercado do empreendedor, que já demonstra direcionamento claro para a produção em escala e comercialização.

A conexão com outros ecossistemas de inovação tem se mostrado um caminho promissor para ampliar o alcance e consolidar o protagonismo da Amazônia como território de soluções sustentáveis.

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