Biorama realiza imersões no Pará e Amazonas para cocriar soluções com negócios comunitários da Amazônia

O Biorama é uma iniciativa que une negócios comunitários e soluções inovadoras para que fortaleçam quem vive da floresta e mantém ela em pé. Mais do que levar inovação, a intenção é buscar construí-la junto às comunidades.

Em setembro, foi realizada as imersões presenciais que marcaram o início da fase de cocriação e desenvolvimento das propostas de soluções aprovadas para a etapa. Desenvolvedores e cooperativas/associações se encontraram nas próprias comunidades e sedes para vivenciar processos de escuta, prototipação e aprendizagem colaborativa. As imersões aconteceram em Carauari (AM), Igarapé-Miri (PA), Altamira (PA) e Brasil Novo (PA).

A Iniciativa Biorama é idealizada e executada em parceria entre a Fundação CERTI e a Conexsus, com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e apoio financeiro da União Europeia por meio do Programa Euroclima, com implementação da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH.

Na próxima fase, duas soluções selecionadas recebem apoio para o desenvolvimento. Confira como foram as imersões no território:

Igarapé-Miri (PA): desafios na cadeia do açaí

Na cidade com a maior produção de açaí do mundo, a Caepim (Cooperativa Agrícola dos Empreendedores Populares de Igarapé-Miri) recebeu duas startups de Manaus (AM): IpiCred e Ecomodular.

A IpiCred, representada por Ana Léia, apresentou uma plataforma em desenvolvimento que usa inteligência artificial, dados meteorológicos e históricos produtivos para prever a qualidade e o volume da safra de açaí, indicando o melhor momento de colheita. Em campo, a empreendedora ouviu produtores da Caepim e ajustou a ferramenta com base na realidade local.

Já a Ecomodular, representada por Aluizio Alberto, propôs unidades modulares sustentáveis de beneficiamento, voltadas à descentralização do processamento e ao fortalecimento da logística. A proposta tem aplicabilidade no contexto ribeirinho e responde a gargalos históricos da cadeia, como perdas pós-colheita e altos custos de transporte.

As duas soluções foram bem recebidas pela cooperativa, que demonstrou interesse em continuar o diálogo e, futuramente, testar as tecnologias.

Carauari (AM): rastreabilidade e qualidade nas oleaginosas

Às margens do Rio Juruá, a Amaru (Associação dos Moradores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari) recebeu a proposta da Universidade do Estado do Amapá, representada pelo professor João da Silva. 

O empreendedor ouviu os membros da Amaru, trocou experiências e adaptou sua proposta com base nas práticas locais, um exemplo concreto de cocriação na bioeconomia amazônica.

A solução proposta combina tecnologia e saber comunitário ao registrar, via QR Code, informações de cada lote de sementes e óleos, como fornecedor, origem, peso e geolocalização, mesmo em locais sem internet. O sistema fortalece a transparência e a organização da cadeia produtiva.

Além disso, pretende-se desenvolver um dispositivo portátil de análise de óleos vegetais, capaz de medir umidade, acidez e cor em tempo real, tanto no campo quanto na cooperativa. Essa inovação promete reduzir perdas e qualificar decisões produtivas.

Altamira e Brasil Novo (PA): soluções para a cadeia do cacau

Nos municípios de Altamira e Brasil Novo (PA), o Biorama reuniu cooperativas que atuam na cadeia do cacau e desenvolvedores de soluções tecnológicas adaptadas para o segmento.

Em Altamira, a TheoXingu Inovações Tecnológicas, representada por Rainério Meireles e Massao Alves, apresentou um secador cilíndrico automatizado de amêndoas de cacau, capaz de reduzir em até 90% a necessidade de mão de obra, minimizar a presença de fungos e garantir qualidade ao produto final. O diálogo com as cooperativas COOPOXIN e COOPATRANS trouxe contribuições práticas para o aprimoramento do equipamento.

Em Brasil Novo, a Elysios, representada por Mário Pedro, apresentou uma plataforma digital de rastreabilidade e gestão que integra produtores, cooperativas e agroindústrias. O sistema inclui um caderno de campo digital, um módulo de gestão do beneficiamento e outro comercial, que centraliza informações e oferece transparência às negociações.

As cooperativas demonstraram interesse em testar as ferramentas, consolidando uma rede de inovação comunitária que valoriza o cacau amazônico e o protagonismo local.

Santo Antônio do Tauá (PA): tecnologia nascida da comunidade

Na “cidade dos igarapés”, a Cooperativa Mista Agroextrativista de Santo Antônio do Tauá (Camtauá) apresentou uma inovação criada a partir de sua própria vivência: um quebrador de sementes de tucumã e murumuru.

O equipamento foi desenvolvido com base na experiência prática dos extrativistas e adaptado às particularidades da biodiversidade amazônica, respeitando o tamanho e a resistência de cada espécie. A ferramenta aumenta a eficiência da produção, melhora as condições de trabalho e amplia o aproveitamento dos resíduos.

O próximo passo é aprimorar o maquinário para atender outras espécies,  reforçando a autonomia da cooperativa e o papel dos produtores locais na manutenção e geração de valor para a floresta em pé.

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