As mulheres da Amazônia que se destacam no empreendedorismo local já colocam em prática muitas das soluções que estarão em debate na COP30, como preservação ambiental, economia regenerativa, inclusão social e uso sustentável da biodiversidade.
Lideranças femininas são protagonistas nesse cenário, mostrando que é possível gerar renda, fortalecer comunidades e manter a floresta em pé. Reconhecer essas práticas e vozes é fundamental para transformar compromissos globais em ações reais dentro das comunidades.
Neste artigo, conheça histórias inspiradoras de mulheres da Amazônia à frente da bioeconomia. Confira!
>> Leia também: O que são negócios de impacto e como criar o seu
O que o mundo espera ver na COP30
A COP30 será palco de discussões centrais sobre o futuro do clima, envolvendo um um debate amplo sobre transição climática, que abrange energia, restauração florestal, responsabilidade das emissões de gases poluentes, soluções de adaptação e mitigação dos efeitos do clima, entre outras. Além disso, a pauta principal será discutir de onde virão e como serão aplicados recursos para essas mudanças.
Enquanto o mundo debate esses caminhos para planejar uma transição para uma economia global de baixo carbono, a Amazônia, que será sede da conferência, ganha destaque como território onde muitas soluções já estão em curso, diversas delas protagonizadas por lideranças femininas.
Essas iniciativas não partem de promessas futuras, mas de experiências reais que fortalecem a floresta em pé. Iniciativas como a Jornada Amazônia já mostram claramente o cenário positivo para as mulheres empreender na bioeconomia.
Programas como o Sinapse da Bioeconomia, voltado ao início da trajetória empreendedora, têm registrado avanço expressivo na presença de mulheres: em 2024, elas foram responsáveis por 51,4% dos negócios aprovados, superando os 43,7% do ano anterior. O crescimento reflete a maior participação delas, ou seja, proporcionalmente, os negócios liderados por mulheres foram mais aprovados do que os liderados por homens.
Esse dado soma-se a outro indicador promissor: na etapa inicial da trilha da Jornada, o Gênese, focado na ativação de talentos empreendedores, 54,2% das pessoas participantes são mulheres, o que aponta para uma nova geração de empreendedoras amazônidas ganhando protagonismo, mostrando que a inovação também nasce da vivência local.
>> Leia também: O potencial da bioeconomia para o desenvolvimento dos negócios
Histórias que inspiram: mulheres da Amazônia à frente da bioeconomia
Diante dos desafios que a COP30 coloca em evidência, a Amazônia surge como uma fonte concreta de soluções.
No coração da floresta, as mulheres da Amazônia lideram transformações reais na bioeconomia, conectando saberes tradicionais e práticas sustentáveis com inovação e geração de renda.
Elas demonstram que as discussões do mundo em nível global já vêm sendo colocadas em prática localmente, com manejo responsável da biodiversidade, fortalecimento de cadeias produtivas inclusivas e compromisso com a prosperidade econômica aliada à floresta em pé.
Buscar inspirações na Amazônia é reconhecer essas lideranças femininas que mostram como é possível unir conservação ambiental e desenvolvimento econômico.
Os dados dos programas da Jornada Amazônia reforçam essa tendência. No Sinergia, voltado à conexão e fortalecimento de negócios em estágio mais avançado, as mulheres foram responsáveis por 56% dos negócios aprovados na edição 2024.2, um crescimento significativo em relação aos 40,7% da edição 2024.1.
A análise da competitividade, que mede se mulheres têm, proporcionalmente mais ou menos chances de aprovação que os homens, aponta que, nas três edições já realizadas, os negócios liderados por mulheres foram sistematicamente mais competitivos.
O salto mais expressivo, no entanto, ocorreu no Sinergia Investimentos, programa focado na evolução e captação de recursos para os negócios. A proporção de mulheres entre os negócios aprovados passou de 25% na primeira edição para 60% na seguinte. Já o índice de competitividade saltou de 0,63 para 1,8, indicando que, proporcionalmente, as mulheres passaram a ter quase três vezes mais chances de aprovação em relação aos homens.
Conheça algumas empreendedoras que passaram pela Jornada Amazônia e hoje lideram soluções que unem inovação, impacto social e conservação da floresta:
Bruna Freitas e a revolução de resíduos de pescados em couro
A história de Bruna Freitas (foto principal), fundadora da Yara Couro, nasce da inquietação de uma mulher que sempre enxergou na Amazônia não só um lar, mas um território fértil para soluções sustentáveis.
Inspirada pela força empreendedora da avó e pela riqueza cultural da região, Bruna decidiu voltar para casa após anos fora do Brasil para transformar sua visão em realidade.
Hoje, à frente de uma empresa liderada majoritariamente por mulheres, ela desenvolve couro de peixe com impacto socioambiental positivo, promovendo rastreabilidade, geração de renda e aproveitamento integral dos recursos da floresta.
A Yara Couro conecta diariamente inovação com regeneração econômica, traduzindo em prática o que será debatido na COP30. Como afirma Bruna, “a Amazônia é viável, criativa e capaz de transformar riquezas com impacto social e nós estamos aqui para provar isso todos os dias”.
Joanna Martins e o poder da gastronomia para valorizar a floresta
Joanna Martins sempre teve espírito empreendedor e inquieto, mas foi ao perceber o abismo entre o restante do Brasil e a Amazônia que encontrou seu propósito em ser essa conexão com os sabores e saberes da floresta.
À frente da Manioca, ela valoriza ingredientes amazônicos, unindo cultura alimentar e geração de renda com respeito ao território.
Seu trabalho se alinha diretamente aos debates da COP30, promovendo a economia regenerativa, uso sustentável da biodiversidade, inclusão social e valorização dos modos de vida locais.
Por meio da bioeconomia de impacto, Joanna mostra que é possível fazer diferente e fazer dar certo. Para ela, “a Amazônia tem muito a ensinar ao mundo e as mulheres da floresta estão prontas para liderar essa conversa”.
Vivian Chun e a cosmética consciente da floresta
Vivian Chun começou formulando cosméticos por curiosidade, mergulhou na agrofloresta por paixão e, anos depois, uniu os dois mundos na MOMA, um negócio que transforma saberes tradicionais em soluções sustentáveis para a pele e para o planeta.
A empresa, liderada por ela e pelo marido, conecta mais de 400 famílias da Amazônia e do Maranhão a uma cadeia produtiva baseada em justiça social, regeneração ambiental e uso da biodiversidade, temas centrais da COP30.
Segundo Vivian, empreender na sociobiodiversidade é mais do que gerar produto: “É fazer diferente, é mostrar que o Brasil tem soluções reais, profundas e coletivas para o futuro do clima e da floresta”.
A hora de escutar a Amazônia e agir com ela
É preciso reconhecer, apoiar e caminhar ao lado de quem vive e constrói soluções no território todos os dias.
Ampliar as vozes das mulheres da Amazônia que lideram iniciativas sustentáveis, regeneram cadeias produtivas e inspiram novos modelos de desenvolvimento é importante para que o debate internacional sobre clima, biodiversidade e justiça social se torne efetivo.
Governos, empresas e a sociedade precisam assumir o compromisso de apoiar essas lideranças e seus saberes, que já apontam caminhos viáveis e transformadores.
Com esse objetivo, a Jornada Amazônia atua como uma plataforma que faz a conexão do conhecimento local e de startups da bioeconomia com redes de apoio técnico, investimento de impacto que reconhecem o protagonismo da floresta e das pessoas que a mantêm de pé.
>> Quer saber mais? Baixe o nosso ebook e entenda o conceito de floresta em pé e sua relação com a bioeconomia.